Se o casamento é o primeiro passo para o divórcio, sempre achei que o segundo é a intolerância. Quando a relação se desgasta como resultado de muitos problemas sem solução satisfatória, o resultado é que ficamos “por aqui” com o sujeito. A intolerância faz com que qualquer coisa que o outro faça nos deixe loucos de raiva e prontos para mobilizar nossas tropas para destruir o inimigo.
Já vi casais terem discussões de vida ou morte, a ponto de os presentes serem obrigados a intervir, por coisas tão bobas que depois ninguém mais lembraria o que eram. Quando a intolerância se instala um simples olhar pode levar um casal às vias do fato.
Quando estão assim a vida sexual praticamente não existe porque qualquer coisa dita ou mesmo sugerida pode provocar uma crise de raiva no parceiro que encerra a discussão dando as costas para o outro e adeus noite de amor…
Sempre achei que casamentos que duram décadas não são provas de amor e sim exemplo supremo de até onde o ser humano pode ser tolerante. Quando uma relação vale a pena investimos muito nela e a maioria das coisas que não nos agradam relevamos a segundo plano porque “vale a pena”. Quando a contabilidade emocional da relação está no vermelho, com um gráfico que começa em zero descendo para “menos infinito”, qualquer concessão nos parece o fim da picada e claro que não queremos investir mais nada: nem tempo, nem dinheiro, nem emoção, nem tolerância.
Ficamos literalmente “de saco cheio” com o parceiro e a qualquer movimento em falso vamos abatê-lo impiedosamente. Quando a coisa chegou a esse ponto, principalmente se a recíproca for verdadeira, sei não… acho que é hora de ir cantar em outra frequesia…
(zailda coirano)
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