Desde crianças nos contavam histórias de amor, enquanto que para os meninos contavam histórias de guerras e lutas. Nas deles, o herói sempre saía vencedor. Nas nossas, a heroína encontrava um príncipe que a amava, com um beijo mudava sua vida levando-a para um castelo, e lá eram felizes para sempre.
Mas espera lá! Isso é educação ou lavagem cerebral? Depois ficamos adultas, casamos e o príncipe depois de uns beijos vira sapo, o castelo junta roupa e louça pra lavar todo dia, vêm os filhos que dão um trabalho danado! E depois ainda dizem que “temos uma visão romântica do casamento”. Mas quem foi que enfiou isso em nossa cabeça? Vai dizer que a culpa é nossa?
Só porque queremos alguém para dividir nossas alegrias, contas e tristezas, que nos ouça e nos respeite, que cuide de nós como cuidamos dele, somos sonhadoras? Será que é pedir demais? E é um pecado imperdoável quando a gente percebe que aquela relação está mais furada que peneira de baiana e cai fora? Será que cair fora é privilégio masculino? Ou será que temos que erguer as mãos para o céu e agradecer por termos encontrado um marido, um homem bondoso que nos livrou da desgraça de virarmos tias solteironas?
Será que temos que aturar chifres e maus-tratos para depois de muitos anos, no caixão cercadas de netos e filhos todos comentarem: “foi uma batalhadora”?
Batalhadora é o escambau! Pois não estamos numa sociedade de consumo? Pois então o consumidor (no caso, consumidora) sempre tem razão. Se depois de alguns anos o príncipe encantado aposentou o cavalo branco e só quer saber de beber cerveja e criar barriga em frente ao jogo de domingo, ele que vá cantar em outra freguesia! Nós é que não vamos nos conformar com menos do que nos foi prometido quando leram aquelas histórias pra gente!
Ah – vão dizer os homens – isso é ficção. Homem perfeito não existe.
E quem é que quer homem perfeito? Só queremos um homem-homem, que nos trate como mulheres e nos aprecie da forma que somos, respeitando as diferenças. Queremos ser amadas e compreendidas. E não fazemos por menos, ora essa!
(zailda coirano)
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